Quais os sintomas?
Como é caracterizada? Dr. Harley Bicas: Pela consideração estrita como qualidade, a ausência da visão monocular é caracterizada como cegueira. Reduções parciais, decorrentes de perdas de transparência dos meios oculares (nébulas corneais, cataratas, opacidades do corpo vítreo) e ametropias manifestam-se, principalmente, por diminuições da acuidade visual. Lesões ou disfunções de retina e vias visuais dão escotomas absolutos (perdas totais, como hemianopsias e quadrantanopsias); ou relativos da visão, em setores do campo visual. Defeitos da percepção visual (decodificação de sinais originados no olho) aparecem como ambliopias e cegueiras corticais. Defeitos de interpretação do que se vê (cognição visual, dependente da integração de informações em outras áreas do cérebro) revelam-se como ilusões, alucinações e agnosias. Enfim, defeitos da visão (monocular) representam, praticamente, a quase totalidade dos motivos das consultas em Oftalmologia e Neuro-oftalmologia.

Quando assumida como uma falha do sistema visual binocular, a visão monocular (remanescente, isto é, devida à ausência ou comprometimento substancial da visão correspondente ao outro olho), expressa-se dependentemente da espécie afetada. Em certos animais (coelhos, cavalos) a visão binocular é a de extensão de campo, cabendo a cada olho a visão de um lado do corpo (180°). A visão binocular cobre, portanto, toda a amplitude angular do espaço ao redor do animal (360°) e a visão monocular (única) corresponde a uma cegueira do lado oposto (anopsia lateral completa). Já no Homem, como resultado da progressiva frontalização dos eixos visuais principais, na filogênese, a visão binocular torna-se a de superposição de campos. A principal vantagem desse modelo é concebida como a da percepção tridimensional do espaço (profundidade de campo, estereopsia). Com a visão monocular, perde-se, pois, a estereopsia.

Por outro lado, para que essa condição (a de superposição dos campos visuais) dê certo, exige-se um rig- “Defeitos da visão (monocular) representam, praticamente, a quase totalidade dos motivos das consultas em Oftalmologia e Neuro-oftalmologia” 27 Veja Bem 04 ano 02 2014 oroso ajustamento das direções de cada olhar ao ponto de atenção visual (fixação bifoveal). Assim, consolida-se um círculo vicioso: a visão binocular humana requer um bom ajustamento posicional dos olhos que, por sua vez, é dependente de uma boa visão binocular. Portanto, a visão monocular (falta de visão binocular) é uma das causas de estrabismos.

Um curioso tipo de visão monocular é o que ocorre nos estrabismos. Desde que os sistemas visuais de cada olho funcionem bem, mas haja um desalinhamento das direções do olhar (estrabismo), surgirá diplopia (duplicação de imagens ou percepção de um objeto em diferentes direções do espaço) e confusão (superposição de imagens ou percepção de diferentes objetos em mesma direção do espaço), sintomas tão intoleráveis que o próprio organismo toma providências para evitá-los. Ocorre, então, supressão de imagens correspondentes a um dos olhos (a do olho desviado, isto é, aquele em que a “direção do olhar” não é dirigida ao objeto de atenção visual), o que corrompe a visão binocular. Assim, o estrábico passa a ter duas visões monoculares, dissociadas entre si. Por outro lado, quando as imagens em cada olho, ainda que superpostas, forem de tamanhos desiguais (aniseiconia), ou sem a mesma nitidez (por anisometropias), também se instala o mecanismo da supressão.

A supressão é um mecanismo de defesa (à diplopia e confusão) de origem cortical, mas cuja persistência nos primeiros anos de vida da pessoa (quando o sistema visual está se desenvolvendo) causa perdas de acuidade visual (ambliopia) irrecuperáveis, se não tratadas precocemente.

fonte: http://www.cbo.net.br/novo/publicacoes/vejabem_04.pdf

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